YONDER JOURNAL: PASSAGEM DE BRODRICK

Com a ajuda de sapatilhas robustas, bikes à prova de bombas e um serviço local de helicóptero, seis ciclistas do Yonder Journal atravessam a Ilha Sul, na Nova Zelândia.

Desde nossos primeiros pedais, o fascínio da aventura estava no coração da pedalada. Em nossos dias de juventude, isso significava alcançar as periferias mais afastadas da vizinhança. Nosso mundo parecia pequeno naquela época, mas conforme crescemos, a enormidade da vida também. O que uma vez parecia pequeno e compreensível, aos poucos se tornou intangível e fora de alcance. No entanto, a bicicleta nunca renunciou sua habilidade de cruzar fronteiras, sejam elas físicas ou mentais.

Nossos amigos do Yonder Journal compartilham desse sentimento. Eles entendem o valor intríseco da aventura, que é o motivo de os termos despachado para buscá-la e a seguirem por onde quer que os levem. Através de suas viagens, iremos nos reconectar a essência de pedalar com o coração aventureiro da bicicleta. Volte sempre para acompanhar suas viagens, explorações e descobrimentos.

NOVA ZELÂNDIA

ZONA DESCONHECIDA

“O ato de deduzir (adivinhar) sua localização atual (na ausência de equipamentos adequados, como um GPS) usando um ponto de partida (ponto fixo) e velocidades e direções estimadas é o que podemos chamar de Zona Desconhecida”. – Yonder Journal.

O Yonder Journal é um grupo de antropologistas e esportistas culturais compelidos para a selva para explorar, documentar e publicar relatos significativos de suas experiências. Através de uma coleção de Relatórios, Comentários e Guias nós tentamos compreender e nos relacionar com essas pessoas e lugares através da perspectiva do Yonder. A Zona Desconhecida e a ideologia por trás da aventura por bike mostram diretamente nossa missão. Visite o Yonder Journal para conhecer os estudos mais aprofundados desta "Zona Desconhecida" e as demais investigações natureza adentro do Selvagem.

Talvez a bicicleta seja o modo de transporte mais engenhoso e agradável do ser humano. Autossuficiente, confiável, leve e altamente funcional, uma bicicleta tem a habilidade de percorrer terrenos com um ritmo que contribui perfeitamente para a experiência de uma viagem. Mesmo assim, o consenso geral é que a funcionalidade das bicicletas está condenada à percusos já estabelecidos, ao mundos das estradas e trilhas. O Yonder Journal acredita que essa é uma afirmação falsa, e, em 2015, com o gracioso apoio da Specialized Bicycles, nós buscamos explorar as fronteiras dos limites do que pode ser feito com uma bicicleta. Nós vamos pedalar, andar, empurrar, boiar, subir, descer, e percorrer o globo buscando redefinir o que é possível fazer em cima de um selim. Nós vamos carregar nossos equipamentos e cuidar de nós mesmo; vamos fazer um mochilão de bike, explorar tudo o que pudermos. Traçamos objetivos audaciosos e nobres, e enquanto esperamos conseguir fazer tudo que planejamos, não temos medo de fracassar, porque é através do fracasso que nos aperfeiçoamos. Neste próximo ano iremos viajar por cinco localizações diferentes, com cada lugar apresentando problemas diferentes, exigindo que usemos nossas bicicletas de modos diferentes e únicos. Para cada viagem iremos catalogar os desafios que encontramos através de fotografias, palavras e outros recursos para contribuir para um entendimento global sobre o que é ter uma aventura sobre duas rodas.

Nossa primeira viagem foi para a Nova Zelândia, onde era, teoricamente, verão, e onde andaríamos com nossas AWOLs através da Ilha Sul, de leste a oeste, criando novas trilhas em lugares onde nenhuma bicicleta esteve antes. Mas como faríamos isso? Um amigo, de um amigo, de um amigo acabou se tornando o guia perfeito. Paul era o cara. Nós dissemos a ele que queríamos pedalar em montanhas, e queríamos evitar rotas pré estabelecidas, queríamos pedalar em lugares onde nenhuma bicicleta passou antes. Depois de semanas de vai e vem, estabelecemos uma rota; iríamos sair de Dunedin, viajando no sentido oeste, em direção à costa oposta, e ao mesmo tempo que encontraríamos uma grande variedade de terrenos desafiadores ao longo do caminho, o ponto crítico de nossa viagem seria nossa passagem por uma parte desconhecida nos Alpes do Sul, chamado de Brodrick Pass, então seguiríamos de botes de raft até desaguarmos no mar. Olhando no mapa as distâncias pareciam rasoáveis e a elevação parecia alcançável, então compramos nossas passagens, arrumamos nossas malas e voamos para o outro lado do mundo para pedalar em um lugar que ninguém jamais ouviu falar.

Estávamos em seis, uma banda completa: Paul (o guia), Patrick (o treinador), Benedict (os músculos), Erik (a escuridão), Daniel (os olhos), e eu (o apoio). Durante o período de seis dias pedalamos por estradas pavimentadas, estradas de cascalho, estradas duplas, estradas únicas, lugares sem estradas, areia, rochas, rios e montanhas. Passamos por fortes ventos, chuvas congelantes, quase-neves, zigue zagues quase verticais, um calor escaldante, incontáveis alarmes falsos de pneus furados, incontáveis pneus furados de verdade, chuvas torrenciais, rios agressivos e quilômetros e mais quilômetros do país mais bonito que já vimos. No quinto dia de nossa viagem, acordamos de madrugada com uma forte chuva que rapidamente se transformaria em uma ventania selvagem. Estávamos percorrendo sessenta quilômetros por dia sobre terrenos acidentados, e ainda restavam mais seis antes de chegarmos na cabana na encosta sudoeste de Brodrick Pass. Pensamos que não seria um problema, mas enquanto subíamos o rio furioso que acompanhava o vale quase vertical que nos servia de trilha, nosso progresso quase parou por completo ao sermos forçados a nos afundar repetidamente naquela água congelante, sem falar no granizo que caía com a chuva. Seis horas e cinco quilômetros e meio mais tarde, quando Erik foi quase sugado para dentro da água, apenas a meio quilômetro da cabana de Broderick, e estando prestes a nos machucar seriamente, resolvemos parar e preparar um acampamento de emergência. Nós tivemos que lidar com os sintomas de hipotermia enquanto preparávamos nossos humildes abrigos para esperar a tempestade passar. Quantro horas mais tarde, a tempestade passou e seguimos para um ponto mais alto para que Paul tentasse contatar nosso guia de raft usando um telefone satélite.

No final da contas, apenas fomos até a cabana. Precisávamos fazer contato com nosso guia de raft antes de seguir, ou então iríamos arriscar ficarmos muito, muito perdidos, e nossa única opção seria refazer nossos passos, estando a três dias do sinal mais próximo de civilização. Nunca conseguimos entrar em contato com nosso guia. Acabamos nossa viagem sem comida, sem tempo, e perdidos no meio da floresta, e não tivemos escolha a não ser a chamar um helicóptero para evacuação. Enquanto voávamos sobre os Alpes do Sul, não vimos ninguém e nenhuma trilha, não estávamos deixando nada para trás, e estávamos levando todas as memórias conosco.

Distância total - 300 km Ganho de Altitude Total – 3.613 Metros Dia mais longo – 93 km Dia mais curto – 4.5 km Velocidade Média Mais Alta em um dia – 14 km/h km Velocidade Média Mais Baixa em um dia - 14.1 km/h